O humano das relações

O bebê é uma esponjinha superabsorvente que está prontinho para integrar as sensações que capta por meio da visão, da audição e do toque, enquanto se relaciona com os outros e assim construir a sua interpretação do mundo. Portanto, boa parte do que ele aprende é por meio da observação de como os humanos com quem convive agem em diferentes situações.
A figura fundamental neste processo é a mãe, primeira pessoa que irá transmitir conhecimentos cultural. Ao se dedicar aos cuidados do bebê, a mãe também troca olhares, acaricia, conversa com ele, num jogo de afeto e ternura que o bebê se aconchega e se sente seguro. O vínculo é realmente muito forte, tanto que por vezes, só o fato da mãe o acolher o bebê em seus braços, já o acalma. Na ausência da mãe, outra pessoa deve assumir esse papel, pois a falta da figura materna é devastadora para o desenvolvimento infantil e deixará marcas profundas.
É claro que o pai também é figura importante, especialmente aquele que se envolve e divide os cuidados com o bebê. O pai estabelecerá uma relação que, apesar de repleta de afeto e cuidado, é fundamentalmente diferente daquela que o bebê tem com a mãe e igualmente única. Ter duas pessoas principais, com quem o bebê pode contar e com as quais ele naturalmente estabelecerá formas completamente diferentes de interagir, ajudarão o bebê ter experiências variadas.
Desde o nascimento, o bebê já tem condições de olhar nos olhos dos pais e se manterem atentas a eles na interação. Além disso, eles também se engajam e respondem com sorrisos e protoconversas. As protoconversas são balbucios realizados pelo bebê, enquanto alternam turnos comunicativos numa interação. Quando o bebê e um adulto interagem face a face, eles estão participando de algo chamado de interação diádica. O foco é geralmente o bebê. Muitas vezes o cuidador conversa, conta alguma história ou canta para ele, enquanto o acaricia ou chama atenção para alguma parte de seu corpo. O bebê responde com um olhar atento, com sorrisos, toques.
Aos quatro meses de idade, o bebê já dá gargalhadas e algumas vezes sorriem timidamente. Aquele em que ele esconde o rostinho no pico do sorriso. Além disso, ele não somente responde as interações, mas as iniciam. Por exemplo, enquanto a mãe troca o bebê, faz uma brincadeira de mordicar sua barriguinha, ele gargalha. Quando a mãe para a brincadeira, o bebê levanta sua barriguinha em direção à mãe, para provocar o início do jogo.
Apesar do bebê ainda ter um rico percurso pela frente rumo a apropriação da cultura humana. O engajamento precoce em interações com seus cuidadores e a troca de turnos comunicativos nessas ocasiões mostram que o desenvolvimento cognitivo do bebê caminha muito bem. Isso porque favorecem o estabelecimento do vínculo, do afeto do bebê com seus cuidadores e uma série de aprendizados culturais. Por isso papais, investir nesse tipo de relacionamento é fundamental para a construção dos laços afetivos e um desenvolvimento adequado do seu bebê. Bebês com poucas oportunidades de estabelecimento de vínculo e afeto, costumam ser mais irritadiços, e por vezes, mais apáticos. A curiosidade é a mola propulsora da aprendizagem, portanto, quanto mais o bebê se sentir seguro para explorar o mundo, mais ele se abrirá para novas experiências e aprenderá muito mais.
Se por outro lado, os pais investem muito nesse tipo de interação, mas notam que o bebê não responde com qualidade, é preciso ficar atento. Mas o que seria uma resposta de qualidade? O bebê precisa se mostrar tão envolvido na interação quanto o cuidador. Ele deve responder aos jogos realizados pelos seus pais olhando, rindo e, por vezes, convidando o outro para repetir o jogo ou propor algo novo. Se vocês notarem que não há resposta ou nunca há a procura, é preciso ficar em alerta e buscar orientações de especialistas.
Mas o que exatamente os bebês aprendem nessas interações? Bem, de um modo muito simplificado, podemos dizer que os bebês aprendem aspectos básicos e estruturantes da interação, como o fato de que olhar para o outro é algo valorizado na cultura, que sorrir é um sinal de que há prazer na interação, que há uma estrutura na comunicação de troca de turnos que precisa ser respeitada para que a comunicação ocorra de maneira mais eficiente. Além disso, ao contar histórias, conversar ou cantar para seus bebês é um modo de apresentá-lo e inseri-lo em práticas unicamente humanas que ele irá se deparar durante toda a vida.

APRENDER É DIVERTIDO!

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